Lá fora fazia sol, já estava alto e o tempo parecia não passar. As árvores, da mesma forma, pareciam não se mover. Estava tão fria aquela manhã de Julho em Porto Alegre, que pensei estar - como eu - congelada, pois as folhagens formavam um tapete estático, tive a sensação de demasiado prazer. Com o tempo, resolvi escrever sobre o sol, o grande onipresente sol. Abri mão do meu ciúme. Algo antigo, íntimo e profundo; era natural, fisiológico como a saliva sai das glândulas e como a bile sai do fígado. Entretanto, ele ainda constumava a ser o centro do mundo, do meu mundo, e, tudo sem nehum esforço. E o dia foi se adequando até ficar dia perfeito. Contudo, o sol continuaria a brilhar mais e mais
terça-feira, 8 de julho de 2014
domingo, 6 de julho de 2014
Constância
Fazia escuro lá fora. Naquele inverno, a chuva parecia não ter fim e caía demasiadamente constante, em Porto Alegre. Era estranho experimentar uma sensação de escuridão tão cerrada, o dia teria diminuído. Pela primeira vez não tive vontade de sair de casa, permanecia-me ali. Peguei um papel e escrevi apenas uma palavra "constância". Um dia eu saberia que não seriam necessários versos nem rimas, uma só palavra seria suficiente desde que bem declinada e descrita.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Efêmero
Abri os meus olhos - eu realmente não desejava - esse foi o sinal para começar a guerra. Lutei contra todos os meus medos, angústias, infelicidades, ironias e inconstâncias. Breve e efemero é o tempo; são todos os dias iguais: quente, morno, ameno e frio. Assim se vão os anos. É uma ordem que eu não escolhi - e de fato eu não pertenço a ela. Todas as minhas tentativas de lutar contra a rotina, tornou-me forte. No entanto, blindei-me de lembranças que me trazem esperança em dias grises, e, como em um fechar de olhos, o dia termina. Dormirei, portanto.
Folhagem
A janela continua aberta, a mesa deve estar sob um bom livro, a música poderá atravessar o assoalho, passou a primeira ventania e me levou a lembrar que, afinal, o outono ainda não enviou o seu comando definitivo de despedida às árvores. Eu ainda não me despedi das folhagens, tudo está no seu lugar, eu deveria ficar por aqui.
sábado, 15 de março de 2014
Porto Alegre, 2012 – um convite de 15 anos.
Era uma vez, uma história real a meu ver, que envolve duas
pessoas. (You and I). Você havia feito um convite para o seu aniversario de 15
anos. Meu nome estava, terrivelmente, escrito errado. Na verdade, foi um grande
acidente, um velho conhecido gostava de você (risos) e eu estava sendo o
intermediário, para dar o presente dele para você, já que ele não podia chegar
perto de você. Esse foi nosso primeiro contato de verdade, no qual, meu córtex
cerebral se lembra. Você parecia mais jovem, com longos cabelos, e um inefável
sorriso. Sempre gentil e educada. Não sabia que, em poucos dias, tudo poderia
mudar depois do grande dia. Depois do seu aniversario, eu estava completamente
apaixonado, e com ciúmes do menino que você gostava na época, no qual, dançou
contigo. Nessa mesma época, cheguei a falar com a Adelei e guardamos isso entre
nós.
Porto Alegre, julho de 2012 – Viagem para Goiás: Goiânia,
Mineiros e Costa Rica MS.
Nessa época, eu já estava dando em cima de você, quase que
descaradamente, eu de fato, estava te vendo com outros olhos, um olhar
apaixona. Bem, você sabe, foi muito intenso e forte minha paixão por você nesse
tempo. Eu sentia que ia explodir, minha corrente sanguínea acelerava, minha
pulsação aumentava, você era tudo o que eu sempre quis: discreta, inteligente,
diferente, criativa (em grande parte), sem interesse, profunda, com grande
potencial (eu nunca duvidei), e outras grandes características psicológicas me
atraíram. Até os defeitos me fez aproximar, a grande vontade de te ajudar
também!
Porto Alegre, 04 de julho de 2012. - Nosso Dia!
Eu, por telefone, confessei estar gostando de você. Nesse
dia conversamos quase que a noite toda, colocando os postos positivos e
negativos para um relacionamento e pré-estabelecendo datas para tudo (inclusive
eu, em todas elas). Foi um dia feliz, alegre e totalmente diferente. Algo em
minha vida havia mudado, eu tinha certeza disso! E, agora será para sempre. O
dia em que tu disseste que eu poderia ser uma escolha, o dia em que tu disseste
“Sim” para mim, de alguma forma. O dia em que a (ACBC) nasceu haha em meu
celular, nessa época, eu estava bem popular na Brasa, então tinha que ser
restrito. Foi o tempo das grandes declarações, dos grandes conselhos,
aproximação. Quando eu voltei, estava de cabelo liso (risos) eu me lembro
daquilo.
Porto Alegre, 2013. – Aproximação.
No primeiro semestre do ano passado, foi de muita
aproximação. Começamos o ano juntos, e assim fomos sendo divulgados por toda
igreja que, de fato adorou a ideia, estávamos cada vez mais juntos, fizemos o
cursinho juntos que foi muito bom, nossa, foram tantas coisas NE? Aii aii...
foi muito bom, tudo aquele semestre. Depois...
Porto Alegre, 2013. – A página Branca.
Foi um semestre de reescrever tudo, de pensar, de planejar,
de orar, de perder para ganhar. Em uma pesquisa de casais diz: Dentro de dois
anos é muito comum casais novos brigarem muito e se desentenderem... Mas
daquilo tudo que passamos, eu tenho a certeza que te amo muito e que estou
indo, até onde eu sei, ao caminho certo. Foi um tempo para pensar, e rever
certas coisas que estavam dentro de mim. E, você foi muito importante nesse
tempo. Eu pude aprender, a saber, lidar com essas coisas e a te amar mais.
Sobre a árvore que você comprou porque eu havia indicado haha e que foi
terapêutico tudo aquilo rsrs nossas viagens, pequenas viagens, o retiro que foi
muito distante, aquela distancia foi muito importante para crescermos, acho que
tudo é para crescimento, fortalecer o que é de verdade é como uma sonda.
Você é muito importante para mim, eu te amo de verdade, e,
bom, você sabe, eu quero namorar. Mas não quero nada falso, quero tudo
verdadeiro e real. Se não der certo, se não for isso. Eu sei como sempre, irei
superar. Vamos viver o hoje, e ver o que temos a ser oferecido hoje para
vivermos a vontade de Deus. Temos essa oportunidade!
Parabéns, feliz aniversario! Happy Birthday! Tenha um ótimo
dia, mesmo com chuva e com nuvens, lembre-se: sempre haverá um sol brilhando
além de tudo! Foram anos inesquecíveis ao seu lado, desde que eu cheguei, tem
sido a cura de Deus para minha vida, tem sido as flores que faltavam em minha
primavera árida e me ajudou a ver e a sorrir diante ao caos, sim, foi um grande
apoio em tudo! Obrigado por lutar contra todos os meus pesadelos, obrigado por
suportar-me quando ninguém mais suportou. Obrigado por enxugar as minhas
“lagrimas” quando eu “chorei”. Você é muito importante para mim, e, é um
privilegio fazer parte da sua vida. Amo-te.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
De um lado, temos o pessimismo, que traz a maravilha da segurança diante
do fracasso e a maleabilidade de criar novos rumos, mas também o horror
de não experimentarmos nada e levarmos uma vida gris.
De outro, a fé, que traz o horror da ameaça de perdermos tudo quando algo falha, mas a maravilha de, antes disso, crermos que ali estava a vida por inteiro.
F.P
De outro, a fé, que traz o horror da ameaça de perdermos tudo quando algo falha, mas a maravilha de, antes disso, crermos que ali estava a vida por inteiro.
F.P
domingo, 15 de setembro de 2013
Aos pés do abismo
Eu por
diversas vezes tentei ser mais tolerante, tanto comigo e para com os outros. Mas na
verdade a cada dia uma enxurrada de adversidades tem roubado meu equilíbrio emocional. Um
dos frutos do espírito é a moderação, estava quase certo que não faltava quase
nada para alcançar tal sensatez. Quando me
deparei à frente de um abismo, minha voz em um eco soava na imensidão, sentei-me em um rochedo que estava próximo, eu
queria resistir. Eu o questionei dizendo: por quê? Não eram para meu crescimento tais obstáculos?
Não eram superadores tais enigmas? Todo meu esforço em ser coerente, não valeu de nada? Mas aquele de longe foi o mais cruel.
Eu tinha
prometido a mim mesmo que seria mais tranquilo, não levaria problemas para casa,
teria mais sonhos com Deus, contemplaria a primavera de setembro, abraçaria
mais, faria da vida uma festa. Mas não cumpri minhas promessas. Por isso
conclui que eu não podia culpar ninguém por minhas falhas. Tinha que assumi-las
com honestidade. Também conclui que não adiantava ficar remoendo a culpa: eu
tinha que compreender minhas limitações e aprender a corrigir minhas rotas. É
um tempo de esperar no silencio até que do alto me seja revelado o caminho a
seguir, seja ele continuar e atravessar o abismo, ou criar outra rota.
De repente
esse abismo tornou-se o espelho da minha história. Senti que meu maior desafio
era liderar minha vida através de Jesus, e deixar que ele tome o controle das grandes e pequenas coisas, embora eu tivesse abandonado minha vida. Eu necessitava
modificar minha história, mas sentia-me tão impotente. Eu entendi que de alguma
forma eu estava me empurrando em direção do abismo. Percebi que não fazia
escolhas e que não exercia o livre-arbítrio.
Eu tenho que
dar mais atenção aos meus amigos, amar mais os íntimos, promover novos começos.
Precisava elogiar mais e criticar menos, agradecer mais e reclamar menos, viver
mais suavemente e cobrar menos das pessoas. Eu olhei para todas as minhas
tentativas frustradas de tentar mudar minha vida e comecei a achar que era
quase impossível vencer meu mau humor, minhas lamentações, minha ansiedade,
minha impaciência, minha irritabilidade.
Eu aconselhei
muitas pessoas a deixar de ser frágeis, a parar de olhar para os próprios pés,
a levantar a cabeça a deixar os olhos fixos em Deus. Mas agora eu não conseguia
ouvir minha própria voz, agora eu me encontrava inseguro e paralisado.
Esse abismo
revelou que eu vivi a mais dramática solidão: a de esquecer-me e desprezar a
minha trajetória existencial. Tentei cuidar de muitos, mas não tanto de mim. Esqueci-me
de reciclar o passado e não me fixar a ele, de relembrar da base da minha
psique, um lugar onde nenhum dinheiro tem valor e a sabedoria vale muito... Empobreci,
tornei-me triste e ansioso. Chorei...
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Confissão do meu amor
Partiu o dia, e tudo,
nele, o que é doçura!
Doces lábios e voz,
lido cabelo trançado,
Morno alento,
enlevado, encantador cicio talhe perfeito, olhar de luz!
A visão da beleza ao
meu olhar perdida,
A forma da beleza de
meus braços partida,
Partidas voz e calor,
a alvura e o paraíso...
Não quero ver os meus
dias terminar
Antes de apenas me
aliviar, antes
De muito livro ler
sem conter, em alta pilha, me encerrar
Como um pássaro
proibido de cantar.
Sim, eu vejo, nas
feições da noite constelar,
Enormes símbolos
nublados de um romance no qual eu pensei em idealizar,
E penso que não
viverei para copiar
As suas sombras com a
mão ágil de um relance;
Quando sinto que
nunca mais hei de te ver,
Bela mortal de um
momento ideal!
Nem hei de saborear o
mítico poder
Do amor irrefletido! -
então na orla do Guaíba
No vasto mundo eu
fico só, a meditar,
Ate ir glória e
ternura no nada naufragar.
Tudo se esvaneceu ao
fim do entardecer,
Quando o fusco dia
santo,
Ou antes, noite santa
Do amor cortinado a
trama adianta
Na escuridão, para
ocultar tudo o prazer:
Mas li o prontuário
do amor e dormirei, portanto.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Satisfação
Senti receio, cólera e insatisfação. Não sabia se chorava ou ria, se eu
gritava ou calava-me, se eu quebrava ou construía. Vi todas as minhas
veracidades e julgamentos se transformando em água, estavam caindo tudo das
minhas mãos, escorrendo rapidamente entre meus dedos, eu ate tentava contrair,
embora fosse uma tentativa frustrada, estava em uma grande contradição, meu EU
estava desestabilizado. Minha razão em um completo devaneio, minhas emoções em
um trilho de uma montanha russa. Calei-me, parei, pensei, ponderei, assenti e
deixei com que todas as informações entrassem de alguma forma em meu
subconsciente e criasse certa estabilidade. Com o passar tempo eu vi que a
insatisfação gerou cura e opinião a respeito das minhas verdades. Pois passei a
ouvir o que transmito a rever meus ideais e com isso a forma que eu transmito
minhas emoções e meu pseudossorriso.
É falado que devemos ser sinceros e verdadeiros sem usar mascara, mas
isso não passa de uma ideologia desregulada e falsa, a sinceridade vem da
discrição: aberto, franco e leal. Mas não é isso na pratica, é um sistema mal
formado onde as pessoas não sabem receber criticas e lidar com as adversidades
da vida, não elas vão aprender a escutar o que elas transmitem, não vão saber
corrigir suas idéias, não sabem usar isso para o bem, saber usar como uma
edificação pessoal, para ter uma boa estabilidade emocional e psicológica tanto
para saber quem é e, para saber no que pode se tornar, é por isso que eu vejo a
maioria dos adolescentes sem opinião e sem dominação e autocontrole, faltam
diálogos consigo mesmos, e o mais importante com Deus. Falta veracidade em
arriscar e sentir que ser verdadeiro é desmascarar a falsa idéia da verdade,
isso é mentir para si próprio é uma catastrófica forma de entendimento e
visualização do belo, é amar a mediocridade, é viver como se sua vida fosse
levada de forma com que os outros vão dizer a respeito do vazio, assim deixar
de ser quem é realmente. Temos que aprender a ouvir, ninguém pode falar se não
escutar, portanto, se todos nós saíssemos da plateia e fossemos para o palco,
experimentar de frente a nós mesmo, e deixar com que o sistema ofuscado e
impróprio o perverta, pararíamos de tentar ser deus e aceitaríamos a ser mais
humanos, e quando olhar a vida passou, e suas chances de ser uma pessoa
equilibrada e feliz serão fracassadas, será como um livro mal feito jogado as
traças.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Martha Medeiros
(...) Já aconteceu de eu quase chorar por ter tropeçado na rua, por uma
coisa à toa. É que, dependendo da dor que você traz dentro, dá mesmo vontade de
aproveitar a ocasião para sentar no fio da calçada e chorar como se tivéssemos
sofrido uma fratura exposta. Qualquer coisa pode servir de motivo. Chorar
porque fomos multados, porque a empregada não veio, porque o zíper arrebentou
bem na hora de sairmos pra festa. Que festa, cara-pálida? Por dentro, estamos
em pleno velório de nós mesmos, chorando nossa miséria existencial, isso sim.
Não pretendo soar melodramática, mas é que tem dias em que a gente inventa de
se investigar, de lembrar-se dos sonhos da adolescência, de questionar nossas
escolhas, e descobre que muita coisa deu certo, e outras não. Resolve pesar na
balança o que foi privilegiado e o que foi descartado, e sente saudades do que
descartou. Normal, normalíssimo. São aqueles momentos em que estamos nublados,
um pouco mais sensíveis do que gostaríamos, constatando a passagem do tempo.
Então a gente se pergunta: o que é que estou fazendo da minha vida? Vá que tudo
isso passe pela sua cabeça enquanto você está trabalhando no computador. De
repente, a conexão cai, e em vez de desabafar com um simples palavrão, você faz
o quê? Cai no berreiro. Evidente. Eu sorrio muito mais do que choro, razões não
me faltam para ser alegre, mas chorar faz bem, dizem. Eu não gosto. Meu rosto
fica inchado e o alívio prometido não vem. Em público, então, sinto a maior
vergonha, é como se estivesse sendo pega em flagrante delito. O delito de estar
emocionada. Mas emocionar-se não é uma felicidade? Neste admirável mundo de
contradições em que a gente vive, podemos até não gostar de chorar, mas
trata-se apenas da nossa humanidade se manifestando: a conexão do computador, às
vezes, cai; por outro lado, a conexão conosco mesmo, às vezes, se dá. Sendo
assim, sou obrigada a reconhecer: chorar faz bem, não importa o álibi. É sempre
a dor do crescimento.
Assinar:
Postagens (Atom)