Eu por
diversas vezes tentei ser mais tolerante, tanto comigo e para com os outros. Mas na
verdade a cada dia uma enxurrada de adversidades tem roubado meu equilíbrio emocional. Um
dos frutos do espírito é a moderação, estava quase certo que não faltava quase
nada para alcançar tal sensatez. Quando me
deparei à frente de um abismo, minha voz em um eco soava na imensidão, sentei-me em um rochedo que estava próximo, eu
queria resistir. Eu o questionei dizendo: por quê? Não eram para meu crescimento tais obstáculos?
Não eram superadores tais enigmas? Todo meu esforço em ser coerente, não valeu de nada? Mas aquele de longe foi o mais cruel.
Eu tinha
prometido a mim mesmo que seria mais tranquilo, não levaria problemas para casa,
teria mais sonhos com Deus, contemplaria a primavera de setembro, abraçaria
mais, faria da vida uma festa. Mas não cumpri minhas promessas. Por isso
conclui que eu não podia culpar ninguém por minhas falhas. Tinha que assumi-las
com honestidade. Também conclui que não adiantava ficar remoendo a culpa: eu
tinha que compreender minhas limitações e aprender a corrigir minhas rotas. É
um tempo de esperar no silencio até que do alto me seja revelado o caminho a
seguir, seja ele continuar e atravessar o abismo, ou criar outra rota.
De repente
esse abismo tornou-se o espelho da minha história. Senti que meu maior desafio
era liderar minha vida através de Jesus, e deixar que ele tome o controle das grandes e pequenas coisas, embora eu tivesse abandonado minha vida. Eu necessitava
modificar minha história, mas sentia-me tão impotente. Eu entendi que de alguma
forma eu estava me empurrando em direção do abismo. Percebi que não fazia
escolhas e que não exercia o livre-arbítrio.
Eu tenho que
dar mais atenção aos meus amigos, amar mais os íntimos, promover novos começos.
Precisava elogiar mais e criticar menos, agradecer mais e reclamar menos, viver
mais suavemente e cobrar menos das pessoas. Eu olhei para todas as minhas
tentativas frustradas de tentar mudar minha vida e comecei a achar que era
quase impossível vencer meu mau humor, minhas lamentações, minha ansiedade,
minha impaciência, minha irritabilidade.
Eu aconselhei
muitas pessoas a deixar de ser frágeis, a parar de olhar para os próprios pés,
a levantar a cabeça a deixar os olhos fixos em Deus. Mas agora eu não conseguia
ouvir minha própria voz, agora eu me encontrava inseguro e paralisado.
Esse abismo
revelou que eu vivi a mais dramática solidão: a de esquecer-me e desprezar a
minha trajetória existencial. Tentei cuidar de muitos, mas não tanto de mim. Esqueci-me
de reciclar o passado e não me fixar a ele, de relembrar da base da minha
psique, um lugar onde nenhum dinheiro tem valor e a sabedoria vale muito... Empobreci,
tornei-me triste e ansioso. Chorei...
