sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Confissão do meu amor


Partiu o dia, e tudo, nele, o que é doçura!
Doces lábios e voz, lido cabelo trançado,
Morno alento, enlevado, encantador cicio talhe perfeito, olhar de luz!
A visão da beleza ao meu olhar perdida,
A forma da beleza de meus braços partida,
Partidas voz e calor, a alvura e o paraíso...

Não quero ver os meus dias terminar
Antes de apenas me aliviar, antes
De muito livro ler sem conter, em alta pilha, me encerrar
Como um pássaro proibido de cantar.

Sim, eu vejo, nas feições da noite constelar,
Enormes símbolos nublados de um romance no qual eu pensei em idealizar,
E penso que não viverei para copiar
As suas sombras com a mão ágil de um relance;
Quando sinto que nunca mais hei de te ver,
Bela mortal de um momento ideal!
Nem hei de saborear o mítico poder
Do amor irrefletido! - então na orla do Guaíba
No vasto mundo eu fico só, a meditar,
Ate ir glória e ternura no nada naufragar.

Tudo se esvaneceu ao fim do entardecer,
Quando o fusco dia santo,
Ou antes, noite santa
Do amor cortinado a trama adianta
Na escuridão, para ocultar tudo o prazer:

Mas li o prontuário do amor e dormirei, portanto.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Satisfação

Senti receio, cólera e insatisfação. Não sabia se chorava ou ria, se eu gritava ou calava-me, se eu quebrava ou construía. Vi todas as minhas veracidades e julgamentos se transformando em água, estavam caindo tudo das minhas mãos, escorrendo rapidamente entre meus dedos, eu ate tentava contrair, embora fosse uma tentativa frustrada, estava em uma grande contradição, meu EU estava desestabilizado. Minha razão em um completo devaneio, minhas emoções em um trilho de uma montanha russa. Calei-me, parei, pensei, ponderei, assenti e deixei com que todas as informações entrassem de alguma forma em meu subconsciente e criasse certa estabilidade. Com o passar tempo eu vi que a insatisfação gerou cura e opinião a respeito das minhas verdades. Pois passei a ouvir o que transmito a rever meus ideais e com isso a forma que eu transmito minhas emoções e meu pseudossorriso.

É falado que devemos ser sinceros e verdadeiros sem usar mascara, mas isso não passa de uma ideologia desregulada e falsa, a sinceridade vem da discrição: aberto, franco e leal. Mas não é isso na pratica, é um sistema mal formado onde as pessoas não sabem receber criticas e lidar com as adversidades da vida, não elas vão aprender a escutar o que elas transmitem, não vão saber corrigir suas idéias, não sabem usar isso para o bem, saber usar como uma edificação pessoal, para ter uma boa estabilidade emocional e psicológica tanto para saber quem é e, para saber no que pode se tornar, é por isso que eu vejo a maioria dos adolescentes sem opinião e sem dominação e autocontrole, faltam diálogos consigo mesmos, e o mais importante com Deus. Falta veracidade em arriscar e sentir que ser verdadeiro é desmascarar a falsa idéia da verdade, isso é mentir para si próprio é uma catastrófica forma de entendimento e visualização do belo, é amar a mediocridade, é viver como se sua vida fosse levada de forma com que os outros vão dizer a respeito do vazio, assim deixar de ser quem é realmente. Temos que aprender a ouvir, ninguém pode falar se não escutar, portanto, se todos nós saíssemos da plateia e fossemos para o palco, experimentar de frente a nós mesmo, e deixar com que o sistema ofuscado e impróprio o perverta, pararíamos de tentar ser deus e aceitaríamos a ser mais humanos, e quando olhar a vida passou, e suas chances de ser uma pessoa equilibrada e feliz serão fracassadas, será como um livro mal feito jogado as traças.