sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Confissão do meu amor


Partiu o dia, e tudo, nele, o que é doçura!
Doces lábios e voz, lido cabelo trançado,
Morno alento, enlevado, encantador cicio talhe perfeito, olhar de luz!
A visão da beleza ao meu olhar perdida,
A forma da beleza de meus braços partida,
Partidas voz e calor, a alvura e o paraíso...

Não quero ver os meus dias terminar
Antes de apenas me aliviar, antes
De muito livro ler sem conter, em alta pilha, me encerrar
Como um pássaro proibido de cantar.

Sim, eu vejo, nas feições da noite constelar,
Enormes símbolos nublados de um romance no qual eu pensei em idealizar,
E penso que não viverei para copiar
As suas sombras com a mão ágil de um relance;
Quando sinto que nunca mais hei de te ver,
Bela mortal de um momento ideal!
Nem hei de saborear o mítico poder
Do amor irrefletido! - então na orla do Guaíba
No vasto mundo eu fico só, a meditar,
Ate ir glória e ternura no nada naufragar.

Tudo se esvaneceu ao fim do entardecer,
Quando o fusco dia santo,
Ou antes, noite santa
Do amor cortinado a trama adianta
Na escuridão, para ocultar tudo o prazer:

Mas li o prontuário do amor e dormirei, portanto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário