Partiu o dia, e tudo,
nele, o que é doçura!
Doces lábios e voz,
lido cabelo trançado,
Morno alento,
enlevado, encantador cicio talhe perfeito, olhar de luz!
A visão da beleza ao
meu olhar perdida,
A forma da beleza de
meus braços partida,
Partidas voz e calor,
a alvura e o paraíso...
Não quero ver os meus
dias terminar
Antes de apenas me
aliviar, antes
De muito livro ler
sem conter, em alta pilha, me encerrar
Como um pássaro
proibido de cantar.
Sim, eu vejo, nas
feições da noite constelar,
Enormes símbolos
nublados de um romance no qual eu pensei em idealizar,
E penso que não
viverei para copiar
As suas sombras com a
mão ágil de um relance;
Quando sinto que
nunca mais hei de te ver,
Bela mortal de um
momento ideal!
Nem hei de saborear o
mítico poder
Do amor irrefletido! -
então na orla do Guaíba
No vasto mundo eu
fico só, a meditar,
Ate ir glória e
ternura no nada naufragar.
Tudo se esvaneceu ao
fim do entardecer,
Quando o fusco dia
santo,
Ou antes, noite santa
Do amor cortinado a
trama adianta
Na escuridão, para
ocultar tudo o prazer:
Mas li o prontuário
do amor e dormirei, portanto.