quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Viagens



Era um dia lindo de outubro, Kályton podia sentir a primavera de todas as formas, ele foi visitar um parque de Laurentides Wildlife Reserve no dia quatro, A reserva fica uns quarenta minutos de distancia da sua casa local. Quando chegou estacionou o carro e foi caminhando para dentro das arvores, era distinto e enorme a vasta quantidade de espécies de arvore naquele lugar, enormes e com cheiro de mato, era como se ele pudesse ser primata selvagem por alguns estantes, ele via o sol das três horas da tarde entre as frondosas arvores do norte de Quebec no Canadá, avistou ao longe um grande rio, foi seguindo em direção, não havia muitas pessoas nesse dia na reserva, ele se aproximou das rochas que ali perto se encontrava e ficou a contemplar as águas que desciam nessa época do ano das geleiras nas montanhas do norte do parque, elas derretiam e se encontravam com outras correntezas de nascentes de água, ele ficou estático quando sentiu que uma breve brisa com cheiros de ervas doces se aproximou, ele imaginou que fosse algum tipo de miragem, mas não, era um lindo jardim Grands-Jardins National Park localizado no Lac-Pikauba Território desorganizado. Tênue e milimetricamente esquadrinhado, Kályton viu as flores dançando com o vento, formando uma extensa quantidade de cores ate onde a vista alcançava o aroma agradabilíssimo o fez sair um belo sorriso metálico em seu rosto. Pareciam que era criada com amor e muito cuidado, independentes e fortes, ao longe viu uma garota. Ele se aproximou da jovem que estava de costas para ele.
     – Olá? – Disse Kályton tímido. – Quem é responsável por essa linda obra? Quero congratular por tanto amor e cuidado com cada detalhe depositado nesse jardim.
     – Ola. – Ela virou com um sorriso lindo, seus cabelos eram em tom de laranja de tão ruivos que eram, descia em seu contorno até o ombro esquerdo formando uma belíssima trança, sua roupa era de um amarelo de jardinagem, usava belas botas de jardim também, seus olhos em tom de cinza, mas com um brilho notável, ela abriu um sorriso atraente, o sol estava quase se pondo. – Sim, sou eu mesma. – Respondeu com gentileza.
     Eles se olharam por alguns segundos, e foram caminhando para perto do rio novamente, as águas estavam escuras e o céu em estantes estava escurecendo, estava em uma aquarela de cores o pôr-do-sol, eles conversaram de coisas de interesses próprios, desnecessários, sem motivos, pessoais e continuaram ate o sol se pôr. Depois de alguns estantes de intimidade, eles perceberam que estava ficando escuro, ela era gentil e delicada, tinha uma risada envolvente, ele percebeu em poucas palavras algo que o fazia quer ouvi-la mais, ela contou a historia do local, tinha paixão em suas palavras, ela falava com simplicidade e autenticidade, disse dos seus medos e inseguranças, ela disse que não tinha medo de morrer, pois anseia pela eternidade, não tinha medo de ser jogada do alto, pois amava queda livre, não tinha medo de criticas, pois era sua melhor resposta, ela esta vivendo apenas para cumprir o propósito de ser quem ela mesma é, embora ela mesma fosse à resposta, não tinha medo de tempestades porque sabia que um dia o sol apareceria, o sofrimento é moldador, nos mostra quem nós somos e nos permite achegar perto do que podemos nos tornar. Ela começou a chorar quando Kályton dizia que a admirava, era difícil de acreditar nas palavras dele, todos olhavam apenas para as flores, jardim e montanhas e nunca para o criador a quem fez tudo aquilo. As nuvens pareciam carregadas e escuras, ela o chamou acenando com a mão, ele estendeu a mão a ela, eles foram caminhando por uma trila sinalizada por luzes a beira do rio, de repente começa a cair pequenas gotas de água nos rostos deles, em poucos segundos aquilo se formara numa tempestade terrível e com muitas ventanias, correram, e ela estava devagar pelo fato de estar com botas, ele a pegou em sua mão e a puxou para perto do seu corpo, as luzes se apagaram por todo o parque, não dava para ver nada além da tempestade, eles ficaram em um quiosque que estava a quinhentos metros.
     – Quer que eu a deixe em casa? Estou de carro. – Perguntou Kályton sendo altruísta.
     – Sim, se não for da muito problema. – Respondeu ela.
     – Qual é seu nome?
     – Ariel – Respondeu.
     – O meu é Kályton. – E deu um sorriso gracioso.
     Correram mais de uma hora até o estacionamento onde estava o carro, ele pegou a chave e ficou dentro do carro por um tempo com ela, ela disse onde morava e colocou suas coisas no banco de trás, ela sentou e ficou no carona, Kályton ligou o carro e saíram em direção à cidade, no trajeto percebeu que estava sem gasolina, olhou para o ponteiro que dizia “na reserva” de repente o carro se mexeu por completo e ficou estático na lama, ele teve que descer, viu que estava atolado na lama, teve a idéia de ir a um posto que ficava a dois quilômetros dali, ela não permitiu que ele fosse sozinho, então o acompanhou, tudo estava em um breu, não dava para ver quase nada a chuva tapara tudo, dava apenas para escutar o barulho da noite e das gotas de águas. Quando em uma sensação como se tivessem sendo observados. Eles começaram a andar de presa, e quando perceberam estavam correndo, um urso apareceu na frente deles quando um raio e relâmpago deu-se um estrondo no céu, eram um casal, o urso negro e de uns dois metros e meio, com unhas enormes e um rugir devastador e tenebroso, deu uma arrancada para frente e arranhou o braço de Ariel, ela caiu na lama desacordada, Kályton em um pulo a pegou nos braços e viu que ela sangrava, ele sem pensar pegou um galho pedaço de arvore caída no chão de uns setenta centímetros que estava não muito longe e arremessou no urso, ele se assustou e saiu correndo, Kályton lembrou que tinha uma arma no carro, embora tivesse andado uns setecentos metros, mesmo assim, tremendo voltou e pegou, avistou o urso e sem pensar atirou nos dois, pegou o celular e ligou para emergência que logo os socorreram.
     Ele ficou acordado até ver que Ariel passava bem, Ela abriu o olho na manhã seguinte, ele se aproximou muito cansado, pois ficou a noite toda acordado, ele pegou na mão dela e disse que o vôo para Brasil sairia nessa mesma tarde, ela ficou três dias no hospital e passa bem. Voltou a Porto Alegre se sentiu culpado por algumas semanas por ter matado dois ursos e deixado uma grande amiga, entretanto sabia que tinha agido de má fé. Por diversas noites passou em claro pensando em Ariel, trocaram alguns emails. Tornaram-se grandes amigos, mas Kályton voltou a trabalhar na sala dele como sempre na Letras & Cia.

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