sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Água


Às vezes eu me vejo como a água, ela é humilde e nasce de baixo, escorre e vai criando força e se torna forte, é clara e nítida, sem forma em sua exatidão, sem cor em sua individualidade, devastadora em sua fúria, fraca quando nasce e também voraz quando precisa de atenção, tímida e também exposta.

Não tem cor, cheiro, gosto e forma. É independente e vai se criando nas condições da sua caminhada sem ter lugar pra parar e formando correnteza uma hora rápida e outra devagar, embora pareça escura e medonha, mas é necessário em sua personalidade.

Alegra-nos, entretanto ela nos ajuda na hora que mais precisamos desabafar, quando nosso coração entra em chamas e se transferem em pequenos fragmentos fazendo desabar em defesas naturais do nosso corpo, às vezes doloridas outrora amenas e contentes, ela é mutante se torna e faz possível para se renovar contra as adversidades da vida, ela se torna nuvem, neve e chuva.

Ela cai em nossas mãos e não conseguimos firmá-las, esvai entre nossos dedos como nossas esperanças se abrandam nas tempestades das desestabilidades emocionais. Eu posso ouvi-la entre os abismos como sons de muitas águas. Uma forma tênue  de Deus dizer que me ama.

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