Às vezes eu me vejo como a água, ela é humilde e nasce de
baixo, escorre e vai criando força e se torna forte, é clara e nítida, sem
forma em sua exatidão, sem cor em sua individualidade, devastadora em sua
fúria, fraca quando nasce e também voraz quando precisa de atenção, tímida e
também exposta.
Não tem cor, cheiro, gosto e forma. É independente e vai se
criando nas condições da sua caminhada sem ter lugar pra parar e formando
correnteza uma hora rápida e outra devagar, embora pareça escura e medonha, mas
é necessário em sua personalidade.
Alegra-nos, entretanto ela nos ajuda na hora que mais
precisamos desabafar, quando nosso coração entra em chamas e se transferem em
pequenos fragmentos fazendo desabar em defesas naturais do nosso corpo, às
vezes doloridas outrora amenas e contentes, ela é mutante se torna e faz
possível para se renovar contra as adversidades da vida, ela se torna nuvem,
neve e chuva.
Ela cai em nossas mãos e não conseguimos firmá-las, esvai
entre nossos dedos como nossas esperanças se abrandam nas tempestades das desestabilidades
emocionais. Eu posso ouvi-la entre os abismos como sons de muitas águas. Uma
forma tênue de Deus dizer que me ama.
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