Senti receio, cólera e insatisfação. Não sabia se chorava ou ria, se eu
gritava ou calava-me, se eu quebrava ou construía. Vi todas as minhas
veracidades e julgamentos se transformando em água, estavam caindo tudo das
minhas mãos, escorrendo rapidamente entre meus dedos, eu ate tentava contrair,
embora fosse uma tentativa frustrada, estava em uma grande contradição, meu EU
estava desestabilizado. Minha razão em um completo devaneio, minhas emoções em
um trilho de uma montanha russa. Calei-me, parei, pensei, ponderei, assenti e
deixei com que todas as informações entrassem de alguma forma em meu
subconsciente e criasse certa estabilidade. Com o passar tempo eu vi que a
insatisfação gerou cura e opinião a respeito das minhas verdades. Pois passei a
ouvir o que transmito a rever meus ideais e com isso a forma que eu transmito
minhas emoções e meu pseudossorriso.
É falado que devemos ser sinceros e verdadeiros sem usar mascara, mas
isso não passa de uma ideologia desregulada e falsa, a sinceridade vem da
discrição: aberto, franco e leal. Mas não é isso na pratica, é um sistema mal
formado onde as pessoas não sabem receber criticas e lidar com as adversidades
da vida, não elas vão aprender a escutar o que elas transmitem, não vão saber
corrigir suas idéias, não sabem usar isso para o bem, saber usar como uma
edificação pessoal, para ter uma boa estabilidade emocional e psicológica tanto
para saber quem é e, para saber no que pode se tornar, é por isso que eu vejo a
maioria dos adolescentes sem opinião e sem dominação e autocontrole, faltam
diálogos consigo mesmos, e o mais importante com Deus. Falta veracidade em
arriscar e sentir que ser verdadeiro é desmascarar a falsa idéia da verdade,
isso é mentir para si próprio é uma catastrófica forma de entendimento e
visualização do belo, é amar a mediocridade, é viver como se sua vida fosse
levada de forma com que os outros vão dizer a respeito do vazio, assim deixar
de ser quem é realmente. Temos que aprender a ouvir, ninguém pode falar se não
escutar, portanto, se todos nós saíssemos da plateia e fossemos para o palco,
experimentar de frente a nós mesmo, e deixar com que o sistema ofuscado e
impróprio o perverta, pararíamos de tentar ser deus e aceitaríamos a ser mais
humanos, e quando olhar a vida passou, e suas chances de ser uma pessoa
equilibrada e feliz serão fracassadas, será como um livro mal feito jogado as
traças.
