Havia acordado naquela
manha de segunda, no entanto às onze horas da manhã, tinha que me arrumar
rapidamente para ir ao centro para trabalhar na feira do livro, embora eu não
tivesse nada no estomago, eu corri em direção à parada de ônibus, o dia estava
nublado e ameno, fazia calor e frio ao mesmo tempo, ao correr sentia o cheiro
da manhã e das flores ao redor da minha rua, o vento leve e quase sem vida
soprava em meu rosto, sentia meus cabelos molhados flutuando, a aflição em meu
coração pelo fato de ter uma opção diferente em meu trabalho, meus passos se
tornaram mais longos e quando me vi estava correndo. Chegando à parada logo o
ônibus veio, foi quando sentia que muita fome estava não havia comido nada,
começamos a andar, sentia como se cada metro percorrido fosse uma deixada para
trás, vendo o mundo contra maré, o sol tímido ao longe sai aos poucos, queria
que o ônibus não pudesse parar e seguir em frente, logo eu cheguei ao centro e
sai em disparada ao shopping, comprei um sanduíche e desci as escadarias em uma
velocidade acentuado, mas deu tempo de chegar bem em cima da hora.
Deu meio dia e trinta e a
feira do livro estava oficialmente aberta um sino estrondoso soou dizendo que
poderíamos começar as vendas, a banca estava posicionada em um dos corredores
na sete de setembro, ela estava aberta e bem situada, a cima de mim uma voz doce
feminina performática e linda soava dizendo que a feira estava aberta, as
pessoas começam a chegar e pegar os livros, perguntar os preços. Podia sentir o
cheiro de cultura, arte e inspiração no ar da praça da alfândega no cetro
histórico de Porto Alegre. Barulhos mútuos das pessoas e das paginas dos
livros, o cheiro de livro novo, as pessoas ponderam qual novo mundo vão levar,
qual historia e época querem viajar e viver, dentro de cada pagina uma nova
realidade a se expressar, passando por bancas em bancas procurando encontrar o
que os fazem desejar seus imaginários e como se cada pagina fosse uma
descoberta. A feira se localizada na praça onde as arvores parecem o céu tocar
ao lado de grandes arranha-céus épicos e históricos que formam o centro de
Porto Alegre uma cidade encantadora e inspiradora, onde se respira arte onde
cada olhar se parece uma grande tela tecida pelas mãos de Deus inspiradas nos dedos
humanos, com tantos grunhidos de passos e vozes eu escuto um canto fraco e não
muito alto, atrás de mim vejo um belo pássaro dançando no jardim e a ficar a
cantar e se torna uma bela melodia, algumas pessoas sentam nos bancos e eles
não se importam com os pássaros, um homem abre um livro é como se eu pudesse o
verele levitando e saindo para outra época, dimensão, pessoas, cultura, língua
e outras nações.
Escuto proferir de cada
pessoa uma forma diferente de falar, o sotaque variado do Brasil nordeste,
norte sudeste e sul e eu claro do centro oeste. Isso só pode ser medido e
atraído pelo mundo da leitura, sem muito conhecer, mais os livros nos atrai e
nos fazem parecerem amigos de longa data, as historias nos uni e nos atrai a
viver um mundo invisível, porem imaginário. O sol sai tímido do céu, entre as
arvores aterrissa e faz na grama rigidamente cortada uma coloração entre
amarelo vivo e verde natural, junto o calor que me faz parecer derreter,
contudo sinto o amor e o cuidado de Deus com minha vida, sinto um belo e fraco
vento gélido em minhas costas que me faz voltar a respirar normalmente por
alguns instantes. Quando de repente vejo quatro pessoas que não estavam falando
nada, apenas assinalava para os livros, eu percebi que eram surdos, logo comecei
a falar com eles e nos tornamos amigos ali mesmo, pois como disse a arte de ler
e a expressão dos livros nos atrai. Disse meu nome e meu sinal e eles o mesmo.
O sanduíche que eu havia guardado eu fui comê-lo. Depois à hora parecia ter corrido
então logo veio um vento forte e o céu se fechou, pequenas gotas caiam do céu e
molhava a terra e a grama fazendo sentir a tênue cheiro de chuva, molhava tudo
em volta, as pessoas saiam correndo, ela de fato espantou nossos clientes. – Mais
não a amaldiçoe. – Disse para eu mesmo. E assenti com a cabeça e continuei a
desejá-la, fui comer o lanche da tarde quando comecei a ouvir uma bela musica
de Mozart de fundo, foi o momento mais tênue que podia sentir naquele dia, os
violinos arquejavam de uma forma que eu podia ir ao mesmo embalo, então parei e
pensei: – Musica clássica de qualidade, livros e chuva? Isso é cultura isso é
Feira do Livro.