segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Esplêndida concebida



Seus longos cabelos trançados até o ombro esquerdo, seu cheiro de rosas frascas no jardim, o seu sussurrar meu nome me faz arrepiar a alma, fico arquejando milhares de momentos passados juntos, nossas mãos no mesmo embalo, respiração na mesma freqüência, nossos passos na mesma cadência.

Às vezes saio da realidade e me transporto ao seu lado, já percebi que não posso ficar tão longe que começo a sentir teu cheiro que passa de você pra mim nitidamente.
Enquanto escuto você, eu vejo os brilhos em seus olhos, seu sorriso tímido e seu olhar como se me amasse, em tua face eu vejo  à esplêndida concebida, nossos ensaios performáticos, mas às vezes parece realmente que já ensaiamos.

 Eu acho que estou apaixonado e gostando realmente de você, da forma que você é, eu vou codificar você numa constância que só agente sabe. Eu fiz esse poema para poder te encontrar em mim.

Adoro esse seu jeito de correr de mim e o timbre da sua voz que fica me dizendo coisas tão amáveis, e que me faz rir dizendo que estou aqui porque nós dois somos iguais, as vezes penso que você já tinha o meu prontuário de instruções porque decodifica os meus sonhos, porque você sabe o que eu gosto, porque quando você me abraça o mundo parece parar.

Esse tempo é só nosso e ninguém registra a cena, de repente vira um livro todo cheio de discrições plausíveis. Eu estou incondicional e irrevogavelmente
apaixonado por você.

A Bela Dama Sem Piedade

John Keats

(1795--1821)

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas,
John KeatsSozinho, pálido e vagarosamente passando?
As sebes tem secado às margens do lago,
John KeatsE nenhum pássaro canta.

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas?
KeatsSua face mostra sofrimento e dor.
A toca do esquilo está farta,
KeatsE a colheita está feita.

Eu vejo uma flor em sua fronte,
John KeatsÚmida de angústia e de febril orvalho,
E em sua face uma rosa sem brilho e frescor
John KeatsRapidamente desvanescendo também.


Eu encontrei uma dama nos campos,
PoesiaTão linda... uma jovem fada,
Seu cabelo era longo e seus passos tão leves,
PoesiaE selvagens eram seus olhos.

Eu fiz uma guirlanda para sua cabeça,
PoesiaE braceletes também, e perfumes em volta;
Ela olhou para mim como se amasse,
PoesiaE suspirou docemente.

Eu a coloquei sobre meu cavalo e segui,
PoesiaE nada mais vi durante todo o dia,
Pelos caminhos ela me abraçou, e cantava
PoesiaUma canção de fadas.

Ela encontrou para mim raízes de doce alívio,
Poesiamel selvagem e orvalho da manhã,
E em uma estranha linguagem ela disse...
Poesia"Verdadeiramente eu te amo."

Ela me levou para sua caverna de fada,
PoesiaE lá ela chorou e soluçou dolorosamente,
E lá eu fechei seus selvagens olhos
PoesiaCom quatro beijos.

Ela ela cantou docemente para que eu dormisse
PoesiaE lá eu sonhei...Ah! tão sofridamente!
O último dos sonhos que eu sempre sonhei
PoesiaNesta fria borda da colina.

Eu vi pálidos reis e também príncipes,
PoesiaPálidos guerreiros, de uma mortal palidez todos eles eram;
Eles gritaram..."A Bela Dama sem Piedade
PoesiaTem você escravizado!"

Eu vi seus lábios famintos e sombrios,
PoesiaAbertos em horríveis avisos,
E eu acordei e me encontrei aqui,
PoesiaNesta fria borda da colina.

E este é o motivo pelo qual permaneço aqui
PoesiaSozinho e vagarosamente passando,
Descuidadamente através das sebes às margens do lago,
PoesiaE nenhum pássaro canta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Egoísta



     As letras de alguma forma me ajudaram a encontrar quem sou mostra-me uma forma tênue de dizer meus mais belos e monstruosos pensamentos e desejos, me refugo nelas, embora precise de alguém que me de um retorno daquilo que escrevo, eu olho e só me vejo em cada texto, poema e citação que eu escrevo, eu sinto como se tivesse saindo de mim um fragmento. Não um retorno de satisfação ou critica, mas uma revelação daquilo que realmente eu sou, Quando eu só escrevo, apenas eu irei ler minhas próprias palavras, pensamentos, reflexões, angustias e personalidades. Elas não serão sinceras em dizer quem realmente eu sou. Tornar-me-ei uma pessoa cada vez mais egocêntrica e fracassada. Onde nunca saberei o que eu transpareço através dos meus versos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

58º Feira do Livro



Havia acordado naquela manha de segunda, no entanto às onze horas da manhã, tinha que me arrumar rapidamente para ir ao centro para trabalhar na feira do livro, embora eu não tivesse nada no estomago, eu corri em direção à parada de ônibus, o dia estava nublado e ameno, fazia calor e frio ao mesmo tempo, ao correr sentia o cheiro da manhã e das flores ao redor da minha rua, o vento leve e quase sem vida soprava em meu rosto, sentia meus cabelos molhados flutuando, a aflição em meu coração pelo fato de ter uma opção diferente em meu trabalho, meus passos se tornaram mais longos e quando me vi estava correndo. Chegando à parada logo o ônibus veio, foi quando sentia que muita fome estava não havia comido nada, começamos a andar, sentia como se cada metro percorrido fosse uma deixada para trás, vendo o mundo contra maré, o sol tímido ao longe sai aos poucos, queria que o ônibus não pudesse parar e seguir em frente, logo eu cheguei ao centro e sai em disparada ao shopping, comprei um sanduíche e desci as escadarias em uma velocidade acentuado, mas deu tempo de chegar bem em cima da hora.
Deu meio dia e trinta e a feira do livro estava oficialmente aberta um sino estrondoso soou dizendo que poderíamos começar as vendas, a banca estava posicionada em um dos corredores na sete de setembro, ela estava aberta e bem situada, a cima de mim uma voz doce feminina performática e linda soava dizendo que a feira estava aberta, as pessoas começam a chegar e pegar os livros, perguntar os preços. Podia sentir o cheiro de cultura, arte e inspiração no ar da praça da alfândega no cetro histórico de Porto Alegre. Barulhos mútuos das pessoas e das paginas dos livros, o cheiro de livro novo, as pessoas ponderam qual novo mundo vão levar, qual historia e época querem viajar e viver, dentro de cada pagina uma nova realidade a se expressar, passando por bancas em bancas procurando encontrar o que os fazem desejar seus imaginários e como se cada pagina fosse uma descoberta. A feira se localizada na praça onde as arvores parecem o céu tocar ao lado de grandes arranha-céus épicos e históricos que formam o centro de Porto Alegre uma cidade encantadora e inspiradora, onde se respira arte onde cada olhar se parece uma grande tela tecida pelas mãos de Deus inspiradas nos dedos humanos, com tantos grunhidos de passos e vozes eu escuto um canto fraco e não muito alto, atrás de mim vejo um belo pássaro dançando no jardim e a ficar a cantar e se torna uma bela melodia, algumas pessoas sentam nos bancos e eles não se importam com os pássaros, um homem abre um livro é como se eu pudesse o verele levitando e saindo para outra época, dimensão, pessoas, cultura, língua e outras nações.
Escuto proferir de cada pessoa uma forma diferente de falar, o sotaque variado do Brasil nordeste, norte sudeste e sul e eu claro do centro oeste. Isso só pode ser medido e atraído pelo mundo da leitura, sem muito conhecer, mais os livros nos atrai e nos fazem parecerem amigos de longa data, as historias nos uni e nos atrai a viver um mundo invisível, porem imaginário. O sol sai tímido do céu, entre as arvores aterrissa e faz na grama rigidamente cortada uma coloração entre amarelo vivo e verde natural, junto o calor que me faz parecer derreter, contudo sinto o amor e o cuidado de Deus com minha vida, sinto um belo e fraco vento gélido em minhas costas que me faz voltar a respirar normalmente por alguns instantes. Quando de repente vejo quatro pessoas que não estavam falando nada, apenas assinalava para os livros, eu percebi que eram surdos, logo comecei a falar com eles e nos tornamos amigos ali mesmo, pois como disse a arte de ler e a expressão dos livros nos atrai. Disse meu nome e meu sinal e eles o mesmo. O sanduíche que eu havia guardado eu fui comê-lo. Depois à hora parecia ter corrido então logo veio um vento forte e o céu se fechou, pequenas gotas caiam do céu e molhava a terra e a grama fazendo sentir a tênue cheiro de chuva, molhava tudo em volta, as pessoas saiam correndo, ela de fato espantou nossos clientes. – Mais não a amaldiçoe. – Disse para eu mesmo. E assenti com a cabeça e continuei a desejá-la, fui comer o lanche da tarde quando comecei a ouvir uma bela musica de Mozart de fundo, foi o momento mais tênue que podia sentir naquele dia, os violinos arquejavam de uma forma que eu podia ir ao mesmo embalo, então parei e pensei: – Musica clássica de qualidade, livros e chuva? Isso é cultura isso é Feira do Livro.

Cordialidade



É falado que temos que ser sincero e verdadeiro sem usar mascara, mas isso não passa de uma ideologia desregulada e falsa, a sinceridade vem da discrição: aberto, franco e leal. Mas não é isso na pratica, é um sistema mal formado onde as pessoas não sabem receber criticas e lidar com as adversidades da vida, não vão aprender a escutar o que elas transmitem, não vão saber corrigir suas idéias, não sabem usar isso para o bem, saber usar como uma edificação pessoal, para ter uma boa estabilidade emocional e psicológica tanto para saber quem é e para saber no que pode se tornar, é por isso que eu vejo a maioria dos adolescentes sem opinião e sem dominação e alto controle, falta diálogos consigo mesmos, falta veracidade em arriscar e sentir que ser verdadeiro é desmascarar a falsa idéia da verdade, isso é mentir para si próprio é uma catastrófica forma de entendimento e visualização do belo, é amar a mediocridade, é viver como se sua vida fosse levada de forma com que os outros vão dizer a respeito do vazio, assim deixar de ser quem é realmente, temos que aprender a ouvir, ninguém pode falar se não escutar, portanto se todos saírem da platéia e ir para o palco experimentar de frente você mesmo, e deixar com que o sistema ofuscado e impróprio o perverta, e quando ver a vida passou e suas chances de ser uma pessoa equilibrada e feliz será fracassada, será como um livro mal feito jogado as traças.

Azucrinação



Senti receio, cólera e insatisfação. Não sabia se chorava ou ria. Se eu gritava ou calava. Se eu quebrava ou construía. Vi todas as minhas veracidades e julgamentos se transformando em água, estavam caindo tudo em minhas mãos, escorrendo rapidamente entre meus dedos, eu ate tentava pegar, embora fosse uma tentativa frustrante, estava em uma grande contradição, meu EU estava desestabilizado. Minha razão em um completo devaneio, minhas emoções em um trilho de uma montanha russa. Calei-me, parei, pensei, ponderei, assenti e deixei com que todas as informações entrassem de alguma forma em meu subconsciente e criasse certa estabilidade. Com o tempo vi que a insatisfação gerou cura e opinião a respeito das minhas verdades. Pois passei a ouvir o que transmito a rever meus ideais e com isso a forma que eu transmito minhas emoções e meu pseudo sorriso.