sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Incipiens


Incipiens
    
     Quando criança fui a escola pela primeira vez, acho que nunca vou me esquecer. Desde brincar ate a forma de agir mostrava que eu não era normal. Eu sempre conversei com meus brinquedos, fazia deles animados e eu podia ouvi-los, meu coração era doce, gentil, simpático e inocente. Sempre brincava sozinho ninguém nunca entendeu o porquê, ate que por fim resolvi me relacionar com as crianças que pareciam mudas. Elas queriam que eu ficasse perto delas e brincasse também. Dei uma chance a mim mesmo.
     Eles me excluíram, bateram e me fizeram sofrer. Eu era do tipo que sofria calado. Continue assim por um longo tempo, e as pessoas só me provavam que eram desprezíveis e amargas. Confesso que não sabia o que era amor, pois de fato não havia recebido disso em casa. Então sem eu apenas perceber estava construindo um grande e inquebrável moro de proteção. A sociedade é cruel. – Eu sinto muito mais não me encaixo no seu perfil de perdição. Comecei a usar isso ao meu favor, já que eu não tinha escolha. Toda semana eu era agredido, fui rejeitado assim que rejeitei meus brinquedos inanimados.
     Sem pensar estava me tornando um mostro, assim que fiz oito anos comecei a manipular as pessoas, claro que de primeiro foi sem perceber, mais depois que fiz um teste com o pobre Hugo, foi tão fácil, acho que agora não sou tão previsível. – Sou?  Eu pude sentir o poder, eu conhecia de falar em Deus, eu comecei a conversar com ele desde criança. Ele sempre me respondeu. Eu sabia como as coisas iam acontecer com mais rapidez e nitidez.  Ela me contava as coisas sem eu precisar ver ou estar lá. Ele foi gentil me aceitou, mais parecia o que poder era pouco, eu queria ferir a humanidade patética que se alastrava a minha frente freneticamente achando que é alguma coisa. Isso me perturbava me perturbava sentir pena dele, eu sentia a dor que eles sentiam, não só as minhas. Eu apenas tocava e eu sentia e sabia tudo que Deus queria me revelar dela.
     Eu tentei, eu prometo que tentei ser alguém verdadeiro a amável. Tentei ser verdadeiro, ser legal divertido espontâneo. Mais eles sempre me feriram. Então a minha única forma era matar eles, destruir um após o outro, os fazer sentirem a dor que eu senti viver o que vivi. Claro que não foi nada fácil cogitar ser aceito por eles, uma raça tenebrosa mais na qual eu fazia parte. Meu muro já estava se tornando uma muralha. Tive traumas e perdas em tentar serem humanos como eles.
     Eu dava sorrisos para agradar, eu falava para ser gentil, eu beijava querendo matar, eu sonhara em ver sangue por toda parte e ser o deus desse mundo, fazer um mundo junto, certo e correto, no qual as cosias seriam como esta no papel, por que as pessoas querem tanto ser superior? Querem ter poder? Domínio sobre as outras? Sobressair? Ser alto suficiente? Estava farto estava me definhando não agüentava mais, este escrito para não ferir e amar, por que elas ferem? A humanidade estava-me decepcionado e eu estava construindo meu mundo, o mundo onde eu posso ser correto e rigidamente severo, meu ódio contra a sociedade moderna e hipócrita estava aumentando gradualmente. Ser o rei não precisava de muitas cosias ser amado é fácil, as pessoas querem títulos, status, querem ser o que não são para agradar quem?
     Então me revoltei contra Deus, o mesmo Deus que me deu o dom, que me deu a oportunidade de ser diferente e mostrar que posso usar isso para o bem, mas, para que? Para ajudar quem havia por anos me ferido e machucado, me causou trauma? Nunca. Tinha um ódio consumidor, uma angustia sem fim. Porem sempre era calado e ponderador, para matar a presa precisa observar bem, achar o ponto fácil dar confiança e pronto. Tem ela na sua mão. Usa e faça dela seu boneco, brinca com seus sentimentos, psicológico, emoções e só dar um pouquinho de poder a elas e você vera o que ela realmente quer de você. Essa raça medíocre, não, medíocre seria ainda bom! para eles. Baixa, sociedade baixa e cruel. Estava com meus dias contados para ter uma legião de seguidores, todos me amavam e veneravam, outros diziam que não precisava falar nada que o Kaab sabia de tudo da minha vida. Tive romances por interesses pessoais. Amizades para satisfazer meu ego, escravos para ter domínio, quando por fim fui ao clube, lá fiquei cogitando sozinho, andava para um lado e outro encontrei uma pedra linda, ela me chamava. Eu coloquei minha mão nela e me senti forte. Então algo me dizia que tinha que enterrar a pedra e pegar depois de uma semana. Então assim fiz. Meu dom estava aperfeiçoando cada vez mais. E disse que iria ser do diabo naquela mesma semana.
     Eu já sentia demônios na minha casa, podia ate ver alguns, correndo pelos corredores. Uma vez estava escrevendo em um caderno, senti algo diferente, uma força maior. Eu disse. – Pode aparecer, eu não vou ter medo. Estava sozinho, meu corpo se arrepiou todo, me senti muito mal, mais depois desse dia, eu tive certeza que havia feito uma aliança com o mal. Tudo pelo poder. 

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